sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um momento para pensar...

Ao olhar para minhas mãos, percebi que minha pele está mudando. Já não tem mais a mesma juventude, nem é tão firme como já foi um dia. Percebi também que elas estão mais disponíveis, prontas para acolher e afagar. Parece não ter mais a insegurança da recusa, nem o medo da rejeição. Porém ela não é mais a mesma que eu tinha aos 20 anos.
Olho para meu corpo e percebo algumas transformações. Luto contra elas, mais elas estão cada dia mais fortes. Procuro prosseguir ágil, com leveza e encanto. Busco nas marcas , os aprendizados e as lembranças de fases tão boas de minha juventude.O que antes eram apenas sonhos, hoje é a agenda de amanhã. O que era distante, agora segura minhas pernas, impedindo-me de correr, mantendo-me mais calma e paciente diante do inevitável encontro com o futuro. Não é melancolia que sinto, nem nostalgia. Apenas saudades de uma mente que sonhava mais, pois ainda contava com o incerto das escolhas. Saudades da inocência perdida e dos amores impossíveis. Dos bailinhos na garagem de casa, da música lenta que juntava os corpos, e do coração que batia mais forte ao som de uma música chamada, romântica. Saudades dos encontros no portão para conversar sobre coisas sem muita importância. Saudades das brincadeiras de rua, das viagens para o litoral, do contato com o mar e com as águas dos rios, da cidade de meus avós maternos.Do cheiro do fogão a lenha, do curral e do lírio que brotava as margens dos rios, bem abaixo das pontes de madeira. Dos bambuzais, onde se escondiam os sacis e a mula sem cabeça. Do lampião de gás e do café de caldo de cana quentinho, servido no bule e na canequinha esmaltada. Saudades dos filmes da sessão da tarde, das novelas em preto e branco, do Chacrinha aos sábados. Dos bailes, das músicas, dos amigos de final de semana e das aventuras de faculdade. Saudades da primeira bicicleta ,do primeiro fusca, e dos primeiros momentos de conquista e maturidade.Tudo foi passando, passando e ficou para trás como se eu estivesse olhando tudo pela janela de um trem que só vai adiante e não volta na estação por onde passou. As pessoas me vêem e se despedem , acenando suas mãos desejando-me sorte na próxima estação. Me falam adeus e vão ficando presentes apenas em minhas lembranças contadas com palavras envelhecidas pela distância imposta pela tempo.
Sinto-me feliz por estar viva e poder contar histórias, ajudar pessoas e ajudar-me com minha vontade inexorável de compor, de construir e de faze acontecer. Sinto-me repleta e vazia, como se tudo e nada, fosse uma única pergunta ainda sem resposta.
Percebo que há um mistério e nele habita a existência humana. A minha própria existência que se encontra e se perde de tantas outras. Sinto que a realidade de hoje é a história contada amanhã com pouca riqueza de detalhes, esquecidas pela visão precária dos movimentos que acontecem todos, ao mesmo tempo em que eu respiro um momento desta imensidão de moléculas e átomos em movimento e transformação. Não consumo a vida, pois ela é intensa e não cabe em mim em sua plenitude.Fico com o que consigo dela: pequenos prazeres , vividos em encontros com horas marcadas para acabar. Apoio-me na esperança do amanhã. Ah ! como o amanhã é gostoso de se esperar. Como é bom sentir o seu chegar de mansinho, querendo fazer improviso no cotidiano planejado. Querendo criar novos caminhos em mapas já desenhados e ainda, apontar para direções que estão fora de nossa bússola mental.
Quando o amanhã se faz presente, ele se expressa e me invade de oxigênio e hormônios da felicidade. È um estágio de contemplação e ao mesmo tempo de resgate, pois me renovo a cada instante vivido em razão de uma causa maior. Uma causa que nem eu sei como chamar. Uma causa que se transforma em missão de vida e razão de existir, pois por ela vale a pena morrer e até viver todos os dias um pouquinho que seja.
Não há lógica, nem teórico que explique como as idéias vão se compondo em minha mente e como elas influenciam meu modo de ser, sentir e agir.Como os sentimentos formam redes e se conectam em minha projeção mental, criando um cenário de múltiplas possibilidades de ser feliz.
Sinto-me feliz por estar com as pessoas que conheço hoje e que se mostram, diante de meus olhos. Quero ter com cada uma delas, os meus melhores momentos, pois sei que elas também ficarão em alguma estação um dia, mesmo que eu deseje levá-las comigo elas têm suas vidas e irão fazer outras escolhas, onde eu não farei parte. Sinto-me imensamente grata a cada uma delas, por terem me permitido entrar em suas vidas e compartilhar com elas momentos de alegria, de risos, de tristezas e de vida. Agradeço por ter-me sentido tão bem como mulher, como gente, como profissional e como criatura humana. Agradeço por ter-me potencializado e me energizado com seus sonhos, seus olhos e seus lábios.
Tudo tornou-se grande demais, que as vezes sinto que preciso de mais espaço para colocar tantas pessoas incríveis que eu não quero mais deixar. Quero estar sempre com elas. Quero estar sempre ao seu lado, mas... como????
Não há como prever o amanhã, nem tão pouco o quanto tudo isto vai durar...
Só sei que está sendo tão bom acordar para viver todos os dias da semana, de segunda a segunda. Todos os minutos e todas as horas estão sendo plenos de vida. Tudo isto, eu devo as pessoas que me permitem estar ao seu lado. Tudo isto eu agradeço a cada uma delas. Elas me fazem sentir –me especial.Não pelo que sou, mas pelo que elas me fazem acreditar que posso ser.

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