Prezados leitores, após anos de consultoria em empresas familiares, desenvolvendo processos de sucessão ,tenho obtido inúmeros aprendizados que desejo compartilhar com todos vocês.
É comum vermos empresas onde temos duas ou mesmo três gerações, atuando conjuntamente e em todas elas, nos deparamos com conflitos de gerações que desejam implementar seu modelo próprio de gestão.
O mais comum é vermos duas gerações, em que a primeira afirma que deseja parar e desejam que os filhos possam assumir os negócios; o que muitas vezes torna-se um processo doloroso para ambos.
Os pais nem sempre transformam este desejo em atitudes, pois não permitem de fato que os filhos errem e lhes impõem seu modelo de gerenciamento, pois julgam - o certo; afinal a empresa prosperou com este estilo.
Vejo muitas vezes, filhos frustrados por não conseguirem desenvolver suas idéias sem a interferência forte dos pais.
Quando se monta uma empresa, cometem-se erros no processo que favorecem o aprendizado e o amadurecimento de todos os seus gestores. Não há como aprender sem errar.
O que foi útil no passado, muitas vezes não é tolerado quando a segunda geração assume.
Eles não podem errar e assim acabam sendo poupados pelos pais, ou ainda, criticados pelos mesmos, quando o erro ocorre. A frase: “ Se fosse eu , teria feito diferente” , traz um sentimento de fragilidade e insegurança na tomada de decisão de muitos jovens empresários, que temem o risco do fracasso e sofrem pelas cobranças por não atenderem as expectativas dos pais.
Alguns até se rebelam e tomam suas próprias decisões , porém mais para contrariar do que para trazer resultados para a organização. Estamos aqui diante de uma disputa pelo poder que nem sempre é revelada. Ela é latente e fica encoberta pelo discurso da proteção .
Quero com isto, dizer que é necessário um dialogo aberto entre as gerações e um forte respeito pelo que cada um pode contribuir no processo de desenvolvimento da empresa.
Quem está saindo, precisa sentir-se reconhecido e útil , assim como os jovens precisam sentirem-se apoiados e seguros para assumirem responsabilidades e as conseqüências de suas decisões.
O fato de muitos sucessores não terem trabalhado em outras empresas que não seja de seu pais, pode lhes traz uma certa desvantagem quanto a experiências em outros cenários corporativos, mas pode também trazer vantagens de conhecerem profundamente o próprio negócio. Tudo depende da forma como isto será utilizado o aprendizado adquirido no cotidiano da empresa.
Pais e filhos podem gerenciar juntos, ajudando-se mutuamente; compartilhando de um lado a experiência e do outro a ousadia. Podemos somar esforços, ao invés de dividi-los em disputas pelo poder e pela razão, onde todos perdem ou deixam de ter ganhos maiores por não assumirem suas fragilidades e suas competências, dentro de um cenário empresarial e não apenas familiar.
É válido refletirmos como estamos administrando os poderes dentro de uma empresa.
O que a disputa pelo poder está proporcionando de ganhos emocionais, sociais e financeiros?
A empresa muitas vezes passa ser um membro da família. Ela ocupa lugar nas refeições, nos momentos de lazer e até mesmo nos diálogos familiares.
É necessário separarmos os ambientes, para termos as relações familiares preservadas dos acordos comerciais.
Assim, vale abrir espaço para a franqueza entre pais e filhos sobre os rumos da empresa e a forma desejada de gerenciar processos, pessoas e resultados, através da orientação de profissionais especializados que nos auxiliem na administração de “EGOS” e favoreçam uma transição harmoniosa de gerações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário